Fusos horários, idiomas, necessidades e perspectivas múltiplas: o processo de cocriação do “Sul Global no Centro: Um Manifesto por uma nova arquitetura de financiamento para Clima, Natureza e Pessoas”
Nos últimos três meses, um processo complexo e inclusivo se desenrolou. Esta história é contada por vozes do Sul Global geopolítico e parte da mesma base que sustenta a própria A Casa Sul Global: o poder coletivo. Estamos falando do “Sul Global no Centro: Um manifesto por uma nova arquitetura de financiamento para Clima, Natureza e Pessoas”, lançado no último 10 de outubro.
O processo coletivo de construção do Manifesto foi organizado em sete etapas principais, ocorridas ao longo da Jornada COP30 – uma série de encontros preparatórios e formativos que antecedem a primeira edição d’A Casa Sul Global durante a COP30. Com a participação de membros das redes que compõem a Casa Sul – fundos socioambientais da Alianza Socioambiental Fondos del Sur, Rede Comuá, Rede de Fundos Comunitários da Amazônia e o movimento #ShiftThePower –, uma narrativa comum e poderosa foi escrita coletivamente.
Esse processo mostra que a filantropia feita a partir do e para o Sul Global não espera por permissão para transformar esse campo. Ela é uma transformação em curso. O que a Casa Sul faz agora é convidar atores estratégicos, assim como parceiros, a se somarem na construção desse novo e necessário futuro.
Os três primeiros encontros da Jornada COP30 tiveram caráter formativo. A rede aprendeu com especialistas em finanças climáticas e negociações, entre outros, sobre o estado atual desse ecossistema e identificou maneiras pelas quais os fundos socioambientais do Sul Global poderiam contribuir para torná-lo mais centrado nas comunidades, diverso e legítimo.
Os últimos três encontros foram dedicados à construção coletiva do Manifesto, com facilitação de Yasmin Morais, assessora de programas na Rede Comuá, internacionalista e mestre em Poder, Participação e Mudança Social pelo Institute of Development Studies, e Paulina Cho, estrategista climática e mestre em Assuntos Globais pela Universidade de Tsinghua.
À medida que o processo avançava, foi possível enxergar um movimento de fortalecimento e de aprofundamento, tanto nas relações entre as redes que compõem a iniciativa, quanto nas práticas e capacidades de promover alinhamento conceitual e narrativo. Foi essencial para que as redes participantes se conhecessem melhor, se conectassem e sentissem um senso mais forte de pertencimento ao projeto coletivo em construção.
Como afirma Morais: “o que antes parecia distante e difícil se tornou tangível quando nos unimos”. Na visão da internacionalista, essa é a chave para transformar a arquitetura global de financiamento para o clima, a natureza e as pessoas em um sistema menos orientado pelo mercado e mais diverso e colaborativo.
“Escolher processos colaborativos significa valorizar as diferentes formas de conhecimento, experiências e percepções que temos. Significa criar condições para que vozes historicamente excluídas dos espaços de decisão possam trazer suas críticas e aspirações para a mesa”, diz Yasmin.
“Foi impressionante ver como as pessoas abraçaram o processo, apesar de todos os desafios de idioma, fuso horário e contexto”, afirma Cho. “O processo coletivo de escrita nos obrigou a praticar o que defendemos: escuta ativa, partilha de poder e o entendimento de que nenhuma voz isolada detém toda a verdade”, finaliza.
As facilitadoras contam que o processo foi um exercício constante de tradução, não apenas entre idiomas, mas entre realidades. Também foi um lembrete de que, apesar da persistência das desigualdades e disparidades, os fundos socioambientais do Sul Global estão prontos para mudar o jogo e construir uma nova abordagem e uma nova arquitetura de financiamento para o clima, a natureza e as pessoas.
O Manifesto está disponível aqui. Leia agora e compartilhe com seus colegas.
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