
A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas em 2025, a COP30, acontece no Sul Global, mais precisamente em Belém do Pará, no Brasil. Entre seus temas de destaque está a discussão sobre o financiamento para ação climática. Para além da negociação entre os países e os debates em torno de mecanismos tradicionais de financiamento, a COP30 buscará destravar recursos de diversas fontes com o objetivo de acelerar o enfrentamento à mudança climática, em especial olhando para os países do Sul Global.
Em diálogo com essa pauta, A Casa Sul Global olha para a arquitetura de financiamento de clima e natureza desde e para o Sul Global, demonstrando que existem mecanismos locais que garantem que recursos cheguem a movimentos, comunidades e pessoas nestes territórios.
Para ampliar o alcance e o impacto, é essencial que mais recursos sejam direcionados ao fortalecimento do ecossistema de financiamento do Sul e para o Sul, envolvendo uma diversidade de atores em arranjos colaborativos que acelerem a transformação sistêmica em favor da justiça socioambiental.
O lançamento da Casa Sul Global durante a COP30 é estratégico: marca a primeira vez que a Conferência do Clima da ONU será realizada em território amazônico. Após três edições consecutivas com engajamento reduzido da sociedade civil, a COP30 está comprometida em ser um espaço mais democrático e aberto para ativistas e organizações pressionarem por uma ação climática mais ambiciosa.
Neste contexto, a presidência brasileira propõe que a COP30 seja conduzida como um Mutirão Global — uma convocação à cooperação entre povos, setores e territórios, para transformar compromissos em ação efetiva contra a crise climática. A ideia de mutirão vem dos saberes coletivos de comunidades indígenas, quilombolas e periféricas. Palavra ancestral originada do tupi-guarani motirõ, mutirão representa uma ação comunitária em prol de um bem comum.
A Casa Sul Global responde a esse chamado, somando-se ao mutirão global por justiça climática e socioambiental. Mobiliza experiências, recursos e conhecimentos do Sul, para o Sul e para o mundo. Um mutirão da filantropia que afirma a pluralidade dos caminhos possíveis e propõe, desde os territórios, novas formas de financiar a vida e as soluções que já existem, resistem e florescem.
A Casa do Sul Global acontecerá em um espaço localizado no coração de Belém, em frente à Praça da República, no icônico Edifício Manoel Pinto da Silva. Estará localizada a cerca de 9km de distância da área oficial da COP30.
Inaugurado na década de 1950, o Edifício Manoel Pinto da Silva foi por muitos anos o prédio mais alto de toda a Amazônia, marcando o início da verticalização da cidade. Ícone da arquitetura modernista na região, o prédio segue emblemático no cenário urbano de Belém. A Casa Sul ocupará o primeiro andar, onde funciona o CANTO Coworking, espaço que preserva elementos originais da época, como os painéis de mosaico Raio-que-o-parta, símbolo do modernismo popular amazônico.
Com vista para marcos históricos como o Theatro da Paz e o Cinema Olympia, e no trajeto do Círio de Nazaré, uma das maiores manifestações religiosas do mundo, A Casa Sul Global acontecerá em uma área que pulsa cultura, memória e mobilização popular.
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