Vozes do Sul Global co-criam a programação d’A Casa Sul Global

Da chamada de propostas ao Comitê Curatorial, a primeira edição na COP30 conecta diversidade, justiça socioambiental e soluções inovadoras em um itinerário de sete dias.

A programação da Casa Sul Global na COP30 foi cocriada por representantes do Sul Global, reforçando o protagonismo e as soluções comunitárias na justiça climática e na ação climática.

Estamos nos aproximando da COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), que será realizada em Belém, no Pará (Brasil). Com ela, acontece a primeira edição oficial d’A Casa Sul Global. Enquanto plataforma de articulação política, mobilização, produção de conhecimento e colaboração, a proposta é trazer uma programação participativa e plural, reunindo atores representativos de diferentes campos e setores do financiamento e da filantropia – do Sul para o Sul.

Entre os dias 13 e 20 de novembro, no Canto Coworking, no coração de Belém, a Casa Sul abrirá as portas para conectar financiamento para a natureza e as pessoas a agendas de justiça socioambiental, gênero, juventude, povos indígenas, povos e comunidades tradicionais, rurais, entre outros, reforçando abordagens colaborativas e soluções de base territorial.

A Casa Sul Global é uma criação conjunta da Alianza Socioambiental Fondos del Sur (Socio-Environmental Funds of the Global South) e da Rede Comuá. Nesta primeira edição, conta com parceria da Rede de Fundos Comunitários da Amazônia Brasileira e do movimento #ShiftThePower. Juntas, reúnem 40 organizações e fundos independentes, locais e dedicados à filantropia de justiça socioambiental e filantropia comunitária, localizados na América Latina, África e Sudeste da Ásia. Enraizados nos territórios e povos do Sul Global, aproximadamente 50 países serão representados em um só espaço.

Com tamanha pluralidade, o grande desafio é criar um ambiente e uma programação que sejam justos e respeitem essa diversidade. A proposta da Casa Sul foi envolver, desde o princípio, vozes e perspectivas representativas do Sul Global no processo de elaboração e curadoria das atividades, valorizando metodologias colaborativas.

A primeira etapa foi a chamada de propostas para a programação, voltada aos membros das redes e organizações parceiras, em um movimento de co-criação – um traço essencial da Casa Sul. Foram quase 40 ideias recebidas, que passaram por uma triagem inicial realizada pela coordenação d’A Casa Sul Global, selecionando aquelas que atendiam aos critérios básicos, com foco em colaboração interterritorial e resultados aplicáveis.

“Um trabalho verdadeiramente colaborativo exige intencionalidade”

Entre os segredos que dão força ao itinerário de sete dias da Casa Sul está o seu Comitê Curatorial, grupo concebido para assegurar diversidade e representatividade na programação final, ampliando o horizonte do processo de seleção e enriquecendo-o com diferentes visões, com ênfase em cocriação. Formado por membros da Aliança Territorial da Rede Comuá (Brasil), Fundo Rutî (Brasil), Pastor Rice Small Grants Fund (Sudeste Asiático), Red Comunidades Rurales (Argentina) e Youth Climate Justice Fund (global, com representante do Quênia), o Comitê foi responsável por avaliar as propostas e recomendar as atividades que irão compor a programação final d’A Casa Sul Global na COP30, compondo uma programação participativa alinhada à missão da Casa. “O resultado final será uma programação enraizada em soluções do Sul para os desafios globais, especialmente no que diz respeito aos fluxos de dinheiro e poder – um tema cada vez mais urgente”, conta Clara Daré, da coordenação executiva da Alianza Socioambiental Fondos del Sur. A seleção buscou integrar experiências e perspectivas de diferentes regiões do Sul Global, incentivando sessões colaborativas que reúnam instituições, redes e países distintos no mesmo espaço. O fluxo de trabalho de um Comitê Curatorial intercontinental é complexo, envolvendo pessoas baseadas em quatro países, em fusos horários com até onze horas de diferença, e trabalhando em dois idiomas – que, em alguns casos, não são seus idiomas maternos. “Com esse contexto, um ambiente de trabalho verdadeiramente colaborativo exige intencionalidade”, pontua Clara. O processo foi facilitado pelo engajamento prévio das organizações na Jornada COP30, caminho preparatório até Belém que incluiu encontros de conteúdo e a construção do Manifesto d’A Casa Sul Global, que será lançado em breve. “Cada integrante do Comitê já chegou ao processo de curadoria com a filosofia da Casa Sul muito presente”, finaliza. A seleção das atividades priorizou propostas capazes de provocar reflexões importantes no contexto da Casa Sul, articular vozes diversas e gerar soluções concretas para o financiamento em clima e natureza e ação climática, tendo a justiça socioambiental nos territórios do Sul Global como valor central. Foram considerados três princípios norteadores: a intersecção entre financiamento e temas como gênero, juventude e justiça socioambiental; experiências inspiradoras que demonstrem metodologias e estratégias para redistribuição de recursos e poder; e a inovação, com arranjos filantrópicos criados desde e para o Sul Global. A programação final será divulgada em breve, com destaque para soluções comunitárias e colaboração inter-regional do Sul Global.

Perguntas Frequentes

A programação da Casa Sul Global foi cocriada desde a chamada de propostas até um Comitê Curatorial plural, com representantes de diferentes regiões, idiomas e biomas do Sul Global, garantindo critérios de relevância temática, representatividade regional e potencial de parcerias alinhadas à justiça socioambiental.​
Esse processo colocou no centro soluções comunitárias e governança participativa, moldando um itinerário de sete dias em Belém que conecta financiamento para clima e natureza a agendas de gênero, juventude, povos indígenas e comunidades tradicionais.

A cocriação envolve a Alianza Socioambiental Fondos del Sur e a Rede Comuá, com parceria da Rede de Fundos Comunitários da Amazônia Brasileira e do movimento #ShiftThePower, articulando cerca de 40 organizações e fundos independentes de América Latina, África e Sudeste Asiático.​
O Comitê Curatorial reuniu representantes dessas redes para selecionar propostas via edital interno, priorizando colaboração interterritorial e resultados aplicáveis, com atividades no Canto Coworking, no centro de Belém, durante a COP30.

Ao trazer decisão e curadoria para os territórios, a cocriação legitima saberes locais, tecnologias ancestrais e experiências de base, aumentando a eficácia de soluções e a incidência sobre fluxos de financiamento climático.​
Essa abordagem consolida parcerias entre fundos, redes e financiadores, favorecendo transformações sistêmicas de médio e longo prazo e garantindo que recursos cheguem a quem está na linha de frente.

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